
em frente à Academia Brasileira de Letras
Rio de Janeiro - Estátua de fundo - Machado de Assis
Foto: Thaiza Murray
O livro é o grande desafio social para educar o Brasil do século 21. O termo desafio significa, não só chamar para a luta, mas também questionar, quer dizer, por questões, estimular, provocar.
Um país que investe na importância do livro como política social prioritária é uma nação livre e soberana, dona do próprio destino. Já dizia Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.
Homens e livros estão intimamente ligados aos conceitos de “LIBERDADE” e “SOBERANIA”. Essa intimidade desperta no leitor a consciência para ética de zelo e harmonia em relação ao patrimônio cultural, a que todos têm direito. E devem reivindicar.
O livro é o meio mais importante no processo de transformação do indivíduo. É uma estrada de via dupla, onde a relação com o leitor deve ser vivenciada como uma prática dialogante. Esse diálogo instigante e provocador da reflexão nos envolvem dialeticamente ao mundo da leitura. É um convite de palavras e imagens que nos fazem viajar. Ao ler o livro evoluímos e desenvolvemos a nossa a capacidade crítica de olharmos o mundo por uma outra óptica.
O livro documenta, registra, resgata e preserva a memória histórica da vida de uma sociedade. E o essencial é que nesta historicidade concreta ele é um dos sujeitos coletivos de marcante presença na gênese da sociedade. Através dele, nos imortalizamos como personagens de um novo tempo para reconstrução de uma nova sociedade mais justa e solidária.
A importância da valorização social do livro dinamiza e vincula linguagem e realidade como ação transformadora, revolucionária e sonhadora.
O notável caráter do livro na vida cultural brasileira do século 21 é revigorar, informar, esclarecer, mudar e renovar as condutas comportamentais do seu povo. É fazer com que o outro se reconheça na voz do seu próprio texto, o leitor da sua própria vida e leitor do mundo.
O livro não é egocêntrico. O livro coopera, reparte. Divide saberes. É um registro de linguagens e idéias em transformação permanente. É um ato libertário que conduz o homem holístico e globalizado a expressar-se com dignidade e respeito.
Refletir sobre o papel do livro na pós-modernidade implica em reconhecer que o exercício da leitura é, efetivamente, uma prática a ser instaurada na sociedade brasileira. E se esta reflexão é urgente para todos os brasileiros, ela é hoje imprescindível para aqueles que desempenham funções educativas dentro ou fora dos muros da escola. É refletindo a dimensão humanizadora do livro nas escolas, é que compreenderemos o conceito de cidadania e conhecimento para os novos caminhos da educação. Só dessa maneira poderemos pensar na construção de um cidadão mais crítico e questionador.
Entretanto, se a cultura brasileira quiser alcançar um sentido vivo na memória nacional, deverá voltar-se para o exercício prático da leitura plenamente consolidada na valorização do livro. Isto só será possível, mediante a política cultural do livro como instrumento de luta e libertação do povo desta terra, chamada Brasil.
Edson Nascimento de Carvalho